FIM DE FESTA





.Últimos dias

Bafafá e Mulheres de Chico se apresentam na Zona Sul.
Mijões e brigões atacam de novo na orla

Felipe Frazão

RIO - O bloco Bafafá estendeu a folia pós-carnaval na areia da Praia de Ipanema, no fim da tarde deste sábado. Cerca de cinco mil pessoas acompanharam a apresentação da orquestra convidada, a do Cordão da Bola Preta. Os ritmistas tocaram sambas e marchinhas voltados para o mar, mas sob tempo fechado. O DJ Franz também tocou hits de sambalanço nos intervalos.
Apesar das más condições climáticas, milhares de banhistas emendaram a estada na praia, no Posto 9. O professor de educação física Marcos Vinícius chegou às 10h, com uma fantasia improvisada na mochila: canga de bolinhas pretas, sombrinha de cabeça, cordão havaiano, máscara e sunga.

- Essa é minha homenagem ao Bola Preta. O Bafafá é o meu preferido, porque ninguém está esperando e, de repente, começa o carnaval de novo - disse ele, que veio de Juiz de Fora passar o carnaval no Rio, há 10 dias.

Como o bloco é pós-praia, boa parte dos foliões estava apenas com adereços na cabeça. Uma das únicas fantasiadas era a atriz Cristina França, de 47 anos, que veio com a família de Botafogo. Ele e a filha se vestiram de policial, o marido de prisioneiro e a neta de fada.

- Guardamos a fantasia para hoje. E ele está de prisioneiro, porque o mundo é das mulheres - disse Cristina.

O diretor do Bafafá e presidente da Associação de Blocos e Bandas Folia Carioca, Ricardo Rabelo, reconheceu a evolução na organização do carnaval de rua.

- O poder público era omisso. A prefeitura acordou para o carnaval de rua. Nunca foi tão bom, nunca se divertiu tanto no carnaval - disse.


Apesar de a Riotur ter instalado 70 banheiros químicos na orla, além de dois containers com sete cabines cada para o público do Bafafá, ele disse que ainda será necessário melhorar a distribuição da estrutura em outros blocos:

- A distribuição foi aquém do esperado. A prefeitura precisa discutir mais com todos os blocos e não somente com uma associação - ponderou.

Para preservar a vegetação de restinga, a diretoria do Bafafá disse que solicitou grades à prefeitura para cercar as dunas de Ipanema, cuja vegetação fora quase totalmente destruída durante a passagem de blocos pela orla. Parte das grades também foi usada para cercar o palco e uma área reservada a convidados na areia.

A locução do Bafafá pedia, no intervalo das músicas, que os foliões não invadissem a área de proteção ambiental. Pouco adiantou. Foliões arrebentaram fitas zebradas de isolamento, pisotearam as dunas e ainda urinaram no local, logo atrás dos banheiros químicos. Restaram apenas traços da vegetação nativa.

Ao fim da apresentação do bloco, novas cenas de vandalismo e desordem. Mais de 50 adolescentes bêbados brigaram na esquina da Rua Joana Angélica com a Avenida Vieira Souto. No tumulto, eles arremesaram garrafas de vidro e outros objetos. A Guarda Municipal dispersou a confusão. Segundo foliões, a briga envolveu grupos da Barra da Tijuca e de Ipanema. Eles também relataram que este não foi o primeiro confronto entre os dois grupos no carnaval.


Agentes da Operação Choque de Ordem prenderam garrafas de vidro portadas por foliões e cerca de 200 tirinhas de mel com cachaça vendidas por ambulantes.

Mulheres de Chico muda de local da apresentação

O Mulheres de Chico comemorou cinco anos de apresentação em novo cenário: a Praia do Leblon, na altura do Posto 12. O grupo prestou uma homenagem a Vinícius de Moraes, incluindo no repertório as canções "Canto de Ossanha" e "Berimbau", além das músicas de Chico Buarque. A mudança de local do bloco, que não desfila, teve o intuito de desafogar o trânsito no Leblon que, em edições passadas do bloco, sofreu com congestionamento. A estratégia surgiu efeito, mas não conseguiu evitar a lentidão enfrentada por motoristas nas avenidas Visconde de Albuquerque, Ataulfo Paiva, General San Martin e Delfim Moreira.

O show começou com mais de uma hora de atraso, com o céu bastante nublado mas sem chuva. O tempo fechou mesmo para o folião Thiago Rodrigues, de 27 anos, flagrado por um porteiro urinando no canteiro de um prédio da Rua Aristides Spínola. Na hora da bronca, o jovem admitiu o erro e se ofereceu para jogar um balde d'água no local:

- Sei que estou errado, mas não há banheiro suficiente. A fila estava longa e não dava para esperar - explicou.

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