ESPORTES




Walking Rio faz sua quarta edição neste domingo, à beira-mar


RIO - Um dos exercícios mais recomendados pelos médicos, a caminhada ganha ainda mais pontos na cartela de benesses à saúde quando é feita em meio à natureza. Os caminhos à beira-mar, então, são o cenário perfeito para quem quer estimular os músculos e a mente. Pois é exatamente esta a ideia do Walking Rio, que faz sua quarta edição neste domingo (23.08), a partir das 8h.

Trata-se de uma caminhada na natureza pelas praias do Leblon, Ipanema, Copacabana e Leme. Organizada pela Anda Brasil, é aberta a caminhantes de todas as idades, e não tem caráter de competição. Pelo contrário: os 10 quilômetros do caminho são puro lazer.

A partida será da praia do Leblon, na esquina da rua Visconde de Albuquerque, a partir das 8h. O circuito termina na Praça do Forte do Leme, e tem dois postos de controle: um no final do Arpoador e outro em frente ao Copacabana Palace. É lá que os participantes recebem carimbo de certificação da caminhada.

Ao final do trajeto, todos os participantes ganham uma caderneta internacional da IVV - Federação Internacional de Esportes Populares - órgão que promove Caminhadas na Natureza em todo o mundo.

CRÔNICA

TESTANDO SEU DESÂNIMO

(Autor: Antonio Brás Constante)

O desânimo é aquela sensação que mais parece à falta de todas as outras. É como se os nossos sentimentos de alegria, força de vontade, ânimo, inspiração, etc. tivessem saído de dentro de nós para ir tomar um lanche lá na esquina da vida e esquecido de voltar. Ou seja, pode-se dizer que estar desanimado, é estar com o estoque vazio de sentimentos.

Ele gruda em nós feito um carrapato, drena nossa força de vontade tal qual uma sanguessuga e incomoda mais que barulho de mosquito em acampamento de verão, sem falar que é mais chato que propaganda política.

Em uma primeira analise, o desânimo é visto como uma mescla de preguiça, cansaço e sono, mas isto não é totalmente verdade, pois para todos estes, uma cama macia acompanhada de uma boa noite de sono resolvem o problema. Já no caso do desânimo, não. Até para descansar nos sentimos desanimados.

Quando estamos no serviço e encontramos alguém nesta situação, verificamos que ele parece distraído, parado, contemplativo. Como se estivesse em contato cósmico com o núcleo de algum universo invisível. Mas, ao invés disso, está apenas tomado de um imenso vácuo existencial. Sem vontade de ficar no emprego ou mesmo de ir embora, pois para esse tipo de mal, qualquer lugar acaba servindo para que aquele pobre “montinho humano” onde está hospedado, fique em total estado de marasmo absoluto.

Este sentimento não escolhe lugar, profissão ou idade. Pode acontecer com um político (nesses casos geralmente quem fica tomado de desânimo é a platéia em meio aos seus discursos), ou mesmo com um mero escritor, buscando inspiração para falar desse assunto tão desanimador.

Pessoas com stress ou com depressão, tendem a conviver de forma mais íntima com o desânimo dentro de si. É como se fosse uma pedra gigantesca amarrada aos seus tornozelos puxando-as cada vez mais para o fundo de seus males.

Nos dias de hoje, mesmo com toda concorrência acirrada pela qual passamos, o desânimo se torna cada vez mais constante em nosso mundo. Causado pela falta de perspectiva em nossas vidas. Nos colocando em uma caixinha de melancolia, que aos poucos vai se apertando e nos sufocando, tirando totalmente nossa vontade de viver.

Mas não se preocupe, com certeza você não está se sentindo assim. Pessoas com desânimo não gostam de ler, principalmente se a leitura for de textos que falem sobre este assunto. Parabéns, você passou no teste.

PRAIA DE IPANEMA

Facções marcam território na areia

Mario Hugo Monken, Jornal do Brasil


RIO - O apartheid forçado por facções criminosas nas favelas vai de ônibus até a praia. A regra predomina nas areias de Ipanema e Leblon em fins de semana de calor e sol forte, e aí, é cada um no seu quadrado.

Segundo o comandante do 23º BPM (Leblon), tenente-coronel Sérgio Alexandre do Nascimento, mesmo não tendo envolvimento com o crime, os banhistas de comunidades carentes ocupam a praia de acordo com a facção que domina o lugar onde vivem. Se passar para o lado de um grupo de favela rival, vai haver briga, afirma o oficial

– Funciona que nem as torcidas de futebol. É como se um flamenguista fosse para o lado de um vascaíno – declarou

Após duas confusões ocorridas no final de semana passado no Arpoador e no Jardim de Alah, a Polícia Militar mapeou toda a movimentação dos banhistas e preparou esquema especial para os dias em que as praias ficarem lotadas.

De acordo com o comandante, moradores de favelas dominadas pelo Comando Vermelho (CV) se concentram em dois pontos. Um deles é na Praia do Arpoador, local preferido de quem vem dos morros do Cantagalo, em Ipanema, e do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, que formam um complexo.

O outro é no Leblon, em frente a Avenida Afrânio de Mello Franco, que recebe pessoas vindas de comunidades da Zona Norte, como Jacarezinho e Manguinhos, devido a pontos de ônibus.

Segundo Sérgio Alexandre, quem mora em locais controlados pela Amigos dos Amigos (ADA) na Zona Norte costuma ficar no trecho do Jardim de Alah já que é a parte frequentada por Cruzada São Sebastião, Rocinha e Vidigal.

Ele explica que, quando há mistura de comunidades rivais nas areias, é porque os jovens marcam antes brigas pelo site de relacionamentos Orkut.

– Quando tem briga entre grupos é por causa de facção.

Segundo ele, as confusões podem acontecer no Arpoador, no trecho entre as ruas Farme de Amoedo e Teixeira Mello, em Ipanema, e no Jardim de Alah.

– O pessoal da Cruzada São Sebastião sempre se estranha com o do Jacarezinho. Antigamente, quando eram da mesma facção, não havia isso – disse um gari que trabalha no posto 10.

No Arpoador, principalmente, depois do posto 7, frequentadores ouvidos pelo JB disseram que moradores de várias comunidades – independente de facção – frequentam o trecho e que viram brigas.

– Aqui tem gente que vem do Morro do Urubu e outras comunidades de facções rivais. Ficamos de olho para ver se vai ver briga. Se um passar perto do outro grupo e for reconhecido, pode dar confusão – afirma um PM que trabalha na cabine no Arpoador.

No final de semana passado, ocorreram dois arrastões, um no Arpoador, que terminou com a detenção de um adolescente de 17 anos, e outro no Jardim de Alah, que resultou também na captura de outro menor. Houve muita correria e pânico.


Esquema de policiamento

O comandante revela ao JB já ter elaborado um esquema especial de policiamento para os fins de semana de sol forte.

Segundo ele, aos sábados, 17 carros com 38 policiais circularão pela orla, além de 18 PMs a pé pelo calçadão – um total de 56.

Aos domingos, o número de carros será o mesmo, mas haverá mais 16 policiais a pé.

O oficial acrescenta que outros efetivos vão monitorar a chegada dos ônibus à Ipanema e ao Leblon. Ele disse que, caso os coletivos estejam superlotados, os PMs orientarão os passageiros a descerem aos poucos, de modo a evitar aglomerações nos pontos finais.

DESORDEM



VAGAS NA RUA
Embrapark não pode cobrar por estacionamento em vaga sem placa

RIO - A falta de placas indicando os horários de cobrança de estacionamento na chamada Área Azul (operada pela Embrapark, entre o Leme e São Conrado), levou a Secretaria municipal de Transportes a anunciar na sexta-feira uma decisão. Apesar de as vagas estarem regulamentadas através de portaria publicada no Diário Oficial do município, a cobrança só poderá ser feita quando houver sinalização adequada.
A Secretaria Municipal de Transportes e a Embrapark anunciaram que começaram nesta sexta-feira o cronograma de troca de placas de sinalização das vagas do sistema Rio Rotativo na área azul, que engloba oito bairros da Zona Sul. Cada etapa desse cronograma será previamente divulgada à população.

- As placas foram roubadas ou destruídas por vândalos. As áreas estão regulamentadas, mas o motorista só tem que pagar pela vaga onde existir a sinalização - disse o secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão.

Em vários pontos, o tempo de estacionamento também foi reduzido de período único para duas horas , sem aviso prévio.
As alterações no sistema rotativo englobam um terço das 9.049 vagas administradas pela Embrapark em oito bairros da Zona Sul. A Embrapark tem um prazo de 180 dias para executar as alterações a contar a partir do dia 5 de maio, data do início da operação da empresa no município.

Na quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes admitiu que o município e a Embrapark erraram ao não dar publicidade às mudanças no sistema.
- Eu soube hoje pelo GLOBO. O fato não chega a ser uma novidade. É uma herança que a gente herdou. Mas já estou no cargo há oito meses e a divulgação disso era de minha responsabilidade - disse Paes.
O prefeito acrescentou que pediu para verificar se houve falhas técnicas em alterações que foram feitas. As mudanças no sistema, acrescentou ele, serão mantidas, porque serviram de base para a licitação vencida pela Embrapark
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DESORDEM

Rio Rotativo: Teste mostra irregularidades em várias áreas, como flanelinhas que cobram R$ 10 por vaga, mesmo na presença de PMs

RIO - Apesar das operações Choque de Ordem, o sistema Rio Rotativo continua cercado de irregularidades. Foi o que revelou teste feito, na semana passada, pelo GLOBO em 25 pontos com placas e/ou guardadores ditos oficiais de todas as regiões da cidade. Só três dos guardadores com colete tinham crachá de identificação. Alguns deles criaram puxadinhos, colocando carros em esquinas, calçada, praça e fila dupla. Placas do Rio Rotativo, quatro guardas municipais com cães e uma cabine da Polícia Militar. Mesmo com tanto aparato, só pagando o que estipulam os flanelinhas que controlam vagas públicas é que se consegue estacionar junto ao meio-fio da Praça São Judas Tadeu, perto da estação do trenzinho do Corcovado, no Cosme Velho. Em vez de R$ 2 para deixar o carro no local por até quatro horas, o motorista precisa desembolsar R$ 10 ao chegar, sem direito a tíquete. É o que mostra reportagem de Selma Schmidt na edição deste domingo em O GLOBO. (Vídeo: Vagas incertas do Rio Rotativo)

Na Avenida Almirante Barroso, próximo à Avenida Rio Branco, no Centro, por exemplo, um flanelinha, de camisa e calça sociais, se apresentou como o responsável pelo estacionamento. Cobrou R$ 3 para parar em fila dupla, por 15 minutos, mesmo com o motorista permanecendo ao volante. Ele fica com as chaves de clientes e tem empregados, que manobram e dão voltas com carros para que não sejam multados. Sem cerimônia, foi flagrado usando a rua e os fundos de uma banca de jornal como urinódromo.

- Estou aqui há 26 anos. O pessoal que vai no escritório do Eurico Miranda (no prédio em frente) sempre deixa as chaves comigo - disse o flanelinha, sem saber que conversava com uma repórter, na terça-feira.

Tão crônica quanto é a a situação da Avenida Graça Aranha, em frente ao Clube Ginástico Português. Um guardador com colete e sem crachá é quem dá as cartas por lá. Ele também tem vários auxiliares. Um deles foi orientado a retirar um veículo da vaga, para que o carro da equipe do GLOBO, sem identificação do jornal, parasse. Foram R$ 5, por 15 minutos, na quinta-feira passada.

Para o secretário especial de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, é no Centro que o Rio Rotativo tem mais problemas, por causa da demanda grande e da pouca oferta:

- Mas existem problemas na cidade toda. O Rio Rotativo auto-operativo (em vigor desde 2001) é absurdo. Em maio, estamos mudando o sistema num trecho da Zona Sul (Área Azul, do Leme a São Conrado, que passará a ser administrada pela Embrapark). Estamos ainda levando para a delegacia flanelinhas, pelo exercício ilegal da profissão. Só no fim de semana passado foram cerca de 70 detidos, em volta do Maracanã.
Na Zona Sul, na Rua Arno Konder, próximo ao Largo do Machado, um guardador com colete e crachá sugeriu que estacionássemos em fila dupla. Não deu tíquete.

- Deixa solto e pode pagar na volta - disse ele, que cobrou R$ 2.

Na Praça São Judas Tadeu, foi preciso uma longa negociação com dois flanelinhas para reduzir para R$ 5 o preço de uma vaga do Rio Rotativo, por 15 minutos. Queriam receber adiantado. Diante do argumento da repórter de que precisaria trocar dinheiro, concordaram com o recebimento na volta. Um menor ficou encarregado de pegar o valor combinado
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Este ano, as denúncias sobre o Rio Rotativo passaram a ser feitas para a Ouvidoria de Secretaria de Ordem Pública, através do telefone 153 e do e-mail queroordem@rio.rj.gov.br.