DESORDEM PÚBLICA


Desordem na ciclovia, problema crônico no Arpoador

Guarda Municipal já multou 798 veículos neste ano na Rua Francisco Otaviano


Caminhão de entrega força ciclistas a rodar pela calçada junto à Pizza Hut
Foto: Foto do leitor Aluísio Ezequiel / Eu-Repórter
Caminhão de entrega força ciclistas a rodar pela calçada junto à Pizza HutFOTO DO LEITOR ALUÍSIO EZEQUIEL / EU-REPÓRTER
RIO - O agradável passeio de bicicleta entre as duas praias mais famosas da cidade reserva seus percalços. Ao pedalar pela ciclovia da Rua Francisco Otaviano entre Ipanema e Copacabana, o ciclista pode se deparar com um caminhão ou um táxi e ser forçado a sair da pista, avançando sobre veículos ou pedestres. Morador do Arpoador, o leitor Aluísio Ezequiel passa por esta situação rotineiramente.
motoristas.
— Eles bloqueiam toda a pista. A gente até tenta conscientizar os motoristas, mas a situação sempre se repete. Além disso, tem os motoqueiros que invadem a ciclovia para fugir do engarrafamento — reclama Ezequiel.
O restaurante admite as dificuldades para receber produtos no local. De acordo com o gerente Raphael Gomes, a orientação passada aos fornecedores é para não usar a ciclovia. No entanto, a entrega de farinha, caso do flagrante retratado, é mais problemática. O gerente explica que o elevado peso dos sacos faz com que os fornecedores estacionem na pista dos ciclistas, pela proximidade com o estabelecimento.
— Assim que vê, a gente pede para que retirem, mas às vezes as coisas fogem da nossa alçada. Tentamos manter o melhor relacionamento possível com a vizinhança — diz Gomes.
O relato de Ezequiel não foi o único que chegou recentemente ao Eu-Repórter sobre bloqueios na ciclovia da Rua Francisco Otaviano. A leitora Marcela Leone registrou um táxi parando em cima da pista para deixar um passageiro. Segundo ela, skatistas e ciclistas que transitavam pelo local no momento tiveram de desviar para evitar uma colisão.
A Guarda Municipal garante manter fiscalização frequente na via. Segundo a corporação, 798 multas já haviam sido aplicadas na Rua Francisco Otaviano até a última quinta-feira (06). Estacionar sobre a ciclovia é proibido pelo Código de Trânsito Brasileiro e gera multa de R$ 127,69, além da perda de cinco ponto na CNH.
A punição é pior para quem trafega com um veículo no caminho dos ciclistas: R$ 547, 62 de multa e sete ponto na CNH. Procurado, o Sindicato dos Taxistas do Rio se limitou a dizer que “seus associados têm a instrução para parar onde pede o cliente, contando que não haja obstrução do trânsito e sempre respeitando a lei”.




VERÃO


Sábado de sol e muito calor no Rio

Temperatura volta a beirar 40 graus no Rio, mas previsão é de chuva à noite

Publicado:
Cariocas invadiram as praias neste sábado de calor e sol forte. Na foto, areia tomada por banhistas na altura do Posto 9 Foto: Cézar Loureiro / O Globo
Cariocas invadiram as praias neste sábado de calor e sol forte. Na foto, areia tomada por banhistas na altura do Posto 9CÉZAR LOUREIRO / O GLOBO
RIO - Num sábado de praias lotadas, a temperatura máxima registrada no Rio já voltou, pelo segundo dia consecutivo, a beirar a casa dos 40 graus. De acordo com o Centro de Operações Rio, às 12h, os termômetros marcaram 39,4 graus, na Vila Militar. No mesmo horário, foram registrados 38 graus, no Campo dos Afonsos.
Na sexta-feira, a sensação térmica nas ruas superou os 40 graus. A temperatura máxima registrada no Rio, no entanto, não bateu o recorde de 41 graus, ficando na casa dos 39,8 computados na Vila Militar, na Zona Oeste, segundo o Climatempo. O bairro ainda teve o menor percentual de umidade relativa do ar: 23%. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como estado de atenção quando a umidade cai abaixo dos 30%. Ainda de acordo com o Climatempo, as máximas registradas foram de 38 graus nos Campos dos Afonsos, onde a umidade relativa do ar ficou em 31%, Jacarepaguá e Ilha do Governador, onde os termômetros ficaram na casa dos 37 graus, com umidade relativa do ar entre 35% e 47%, respectivamente.
No domingo, com a chegada da frente fria, o tempo fica instável. Há previsão de algumas aberturas de sol, no entanto, em grande parte do dia, o céu fica nublado e pode chover. Sendo assim, o calor diminui. Os termômetros ficam entre 30 e 21 graus.




PARABÉNS !

Nova modalidade paralímpica inaugurada na esquina da Vieira Souto com Henrique Dumont ! FAIXA DE PEDESTRE COM OBSTÁCULO ! (que mico, pensar que haviam tratores, dezenas de homens e ficou pronto com essa. Pensar que eles conseguiram sumir com 4 árvores na calada de 1a noite e não conseguiram pensar em uma coisa tão simples e básica. Ilustra bem como está sendo gasto o nosso dinheiro... sem planejamento, fora a roubalheira)
Sergio

METRÔ


Ignez Barreto
Em movimento inédito, ordeiro, pacífico e apartidário, a população de Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, vem lutando com muita garra e fé pela preservação da Praça Nossa Senhora da Paz, ameaçada pela sanha destruidora do governo estadual.
A polêmica gira em torno do modelo de construção da estação do metrô no subsolo da praça e do insensato projeto de localização de seus acessos.
O governo pretende um tipo de obra que rasga uma grande vala na praça, sacrifica dezenas de árvores centenárias, com os acessos à plataforma dos trens localizados praticamente no centro da praça.
A população do bairro pede apenas que a obra seja feita pelo método subterrâneo, para que não seja necessário mexer numa única folha e para que o espaço continue livre para crianças, idosos, portadores de necessidades especiais, ponto de encontro para o papo do fim de semana, como é há quase cem anos.

Acima e abaixo, a Praça da Paz e alguns de seus donos 

O método proposto por nós é o de tecnologia de ponta usada em todo o mundo, inclusive no Rio de Janeiro. Os acessos à plataforma ficariam nas calçadas da rua Visconde de Pirajá, principal artéria comercial do bairro, como aliás é comum em quase todas as cidades servidas por trens subterrâneos, meio de transporte que reputamos muito importante.
O governo estadual se nega ao diálogo. Recusa apelos e convites talvez porque saiba que o que nós pleiteamos é o que bom senso indica. Fomos obrigados a entrar na Justiça, obtivemos uma liminar com todos os nossos pedidos deferidos.
A juíza nomeou um perito para que se esclareça se o que a população propõe é viável. E é. O governo cassou a liminar só no que se refere à retomada das obras.
Está declarado o conflito. A população irá até o último recurso. Arregaçou as mangas para levantar fundos e poder fazer frente ao pagamento do perito. Formamos grupos de voluntários, cada um dá um pouquinho de seu tempo e estamos pedindo aos moradores e frequentadores de nosso bairro que contribuam com o que puderem.
Em quinze dias já arrecadamos mais de R$8.000,00. Para essa finalidade abrimos uma conta poupança no HSBC, Agência 0310, c/p 018177-0.
Muitos se perguntarão: tanto barulho por uma praça em um bairro já favorecido pelo mar e pela lagoa?
Vamos pensar juntos: a preservação social, ambiental, histórica, cultural e arquitetônica da Praça da Paz, coração de Ipanema, já seria um motivo mais do que justo. Mas o problema não se encerra aí.
Estamos lutando por nossos direitos contra um adversário que não deveria assim se comportar, mas sim como aliado da população que paga os impostos com os quais ele se dá ao luxo de contratar advogados caríssimos, imprimir e distribuir folhetos luxuosos, gravar vídeos, utilizar agências de publicidade e assessorias de imprensa, enquanto nós para fazer ouvir nossa voz precisamos coletar real por real.
A alma da democracia está no diálogo sério e transparente entre o poder público e a sociedade que o elegeu.
Escolhemos essa forma de convívio no pacto que deveria nos unir ao governo.
Mas esse governo escolheu a desunião. Ao nos defrontar com seu modo de agir, de feitio antidemocrático, só visto nas ditaduras, reagimos e nos expressamos sinalizando que o caminho correto seria uma política pública em consenso com a população.
No entanto, ao contrário, o governo estadual faz questão de mostrar seu desprezo pela opinião pública, corrompendo o pacto democrático tão duramente conquistado por todos nós. Ele se esquece que está aqui para nos servir e que a praça é nossa.

Ignez Barreto é coordenadora do Projeto de Segurança de Ipanema

Exemplos de estações que não arruinaram suas cidades:

Londres, pleno Piccadilly Circus

 
Nova York, entrada de estação grudada numa praça

São Paulo, acesso à estação numa calçada da Paulista