RESSACA !

Após temporal, ressaca assusta cariocas

Agência Estado

Por Bruno Boghossian

Rio - O mar revolto, com ondas explodindo na orla e formando um tapete de espuma branca cobrindo a areia de alguns trechos, atraiu curiosos nas praias do Rio. A ressaca provocada por um ciclone extratropical - mais um resultado da frente fria que causou os temporais de segunda e terça-feira - invadiu a ciclovia de Ipanema e levou água a metros da pista do Aeroporto Santos Dumont. A previsão era de que a altura das ondas chegasse ao auge esta madrugada.
"Um fenômeno como esse acontece de 10 em 10 anos. Não é comum, mas não tem nada de anormal", explicou Luiz Guilherme Aguiar, doutorando em engenharia costeira pelo programa de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).
Desta vez, a ressaca chamou atenção por ter afetado a Baía de Guanabara, que é protegida das ondas e costuma ter águas calmas. "Geralmente, as grandes ressacas do Rio são provocadas por ventos do sul ou do sudoeste. Neste caso, as ondas vêm do sudeste - que é a única direção que entra na baía", afirmou Aguiar.
As ondulações formadas pelo mar agitado quebravam nas pedras que protegem a pista do Aeroporto Santos Dumont e alagaram a via de serviço que fica a poucos metros da cabeceira da pista - o que, segundo a Infraero, não prejudicou os voos. A operação das barcas que fazem a travessia pela Baía de Guanabara entre o Rio e a estação Charitas, em Niterói, teve que ser suspensa.
Durante a tarde, a água chegou à Avenida Vieira Souto, que margeia a praia de Ipanema, e carregou areia até a ciclovia. Surfistas aproveitaram as condições do mar em Copacabana e centenas de curiosos assistiram à formação de nuvens brancas de espuma quando as ondas estouravam.
Os administradores dos quiosques da orla de Copacabana empilharam sacos de calcário agrícola na calçada para proteger as entradas dos banheiros subterrâneos durante a noite, caso a água ultrapassasse a faixa de areia. Estima-se que as ondas possam atingir cinco metros perto da orla, mas Aguiar esclareceu que a plataforma continental brasileira faz com que a energia se dissipe ao longo do trajeto e a altura seja menor na chegada às praias.

MAR EM FÚRIA


DIA 8 / 04 / 2010 ÀS 8,30HS








BARÃO DA TORRE

Moradores de Ipanema temem catástrofe

Thiago Feres, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Moradores de dois prédios na Rua Barão da Torre, em Ipanema (Zona Sul), estão preocupados com a possibilidade de deslizamento de uma enorme pedra e de árvores que tombaram na encosta do Morro do Cantagalo nas últimas chuvas. A tensão tomou conta das cerca de 50 pessoas que vivem nos edifícios 36 e 40.
– Se a pedra rolar, um dos dois edifícios certamente será atingido – alerta o síndico do prédio número 40, Fernando Paes, morador do local desde o nascimento. – A situação pode ser comparada a de um copo cheio d'água atingido por uma goteira: uma hora transborda. Qualquer chuva pode provocar um grave acidente, e vidas estão em jogo.
Durante a manhã desta quarta-feira, os moradores fizeram contato com a Defesa Civil do município, mas, até o início da noite, nenhuma equipe havia chegado ao local. A maior preocupação é de que a situação enfrentada nas enchentes de 1966 se repita.
– Estamos anunciando uma tragédia para evitar problemas passados, quando casas inteiras foram levadas pela força dos deslizamentos. Lembro-me que a Rua Barão da Torre ficou completamente fechada – conta Fernando Paes.
Enquanto isso, no alto do Morro do Cantagalo, algumas famílias aguardam ansiosas pela ajuda das autoridades. Os recentes deslizamentos destruíram completamente uma casa de madeira, onde viviam sete pessoas. O imóvel estava instalado em uma área considerada de risco. Segundo a proprietária, Thaís Eidiane, a única oportunidade de melhoria oferecida pelo poder público foi um financiamento fora das suas possibilidades monetárias.
– Na prefeitura, me fizeram uma proposta para pagar R$ 50, durante 10 anos, num imóvel do programa Minha Casa Minha Vida – explicou ela. – Somos assalariados. Ninguém aqui tem condições de assinar um contrato com esse valor por um período tão longo.
Instalado numa casa ao lado, e em situação de risco semelhante, está Edmilson Trancoso, 30, pai de um bebê de apenas dois meses. Ele alega também não ter condições de pagar por uma nova residência e revela ter recebido uma única proposta, logo no início das obras da estação Cantagalo do metrô.
– Me fizeram uma oferta de R$ 2 mil para deixar a área. Como vou arrumar outro lugar para morar com a minha família por esse valor? – questionou.

BAIRROS.COM

Enviado por Daniel Brunet
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Prefeitura se mobiliza para ajudar desabrigados

A subprefeitura da Zona Sul e a 6ª Região Administrativa (Leblon, Ipanema, Jardim Botânico, Lagoa e Gávea) estão aceitando doações de alimentos não perecíveis, roupas e colchonetes. Todo o material arrecadado será entregue às famílias da Rocinha, Vidigal e Vila das Canoas, que ficaram desabrigadas ou desalojadas, vítimas das fortes chuvas que caem sobre a cidade desde segunda-feira.
- Muitas pessoas perderam suas casas nessas comunidades. Estamos recolhendo doações e vamos repassar para elas - conta o chefe da 6ª R.A., Leonardo Spritzer.
As doações podem ser feitas, das 10h às 18h, na sede da 6ª R.A., que fica na Avenida Bartolomeu Mitre 1297, no Leblon.