PREJUÍZO

Lojas fecham e donos relatam prejuízo perto das obras da linha 4 do metrô

G1 percorreu lojas escondidas entre os canteiros, em Ipanema e no Leblon. 
'As vendas caíram 60% desde o fechamento da rua', diz gerente de loja.

Guilherme BritoDo G1 Rio
Lojas enfrentam problemas para alugar em trechos interditados pelas obras da linha 4 do metrô  (Foto: Guilherme Brito / G1)Lojas enfrentam problemas para alugar em trechos interditados pelas obras da linha 4 do metrô (Foto: Guilherme Brito / G1)
Apesar de placas e estratégias para tentar minimizar o problema, estabelecimentos comerciais no Leblon e em Ipanema, Zona Sul do Rio, afirmam que estão enfrentando prejuízos desde que ficaram "escondidos" por tapumes e canteiros de obras da expansão da linha 4 do metrô. O G1conversou com comerciantes e funcionários de lojas da região nesta segunda-feira (19), que relataram a difícil rotina de equilibrar o orçamento e atrair clientes depois que as obras começaram. Lojas desocupadas enfrentam problemas para alugar e as que estão funcionando calculam o percentual negativo nas vendas desde novembro de 2012, data do início das intervenções.
Dono deste estabelecimento depreciou preço em R$ 10 mil, mas imóvel continua desocupado  (Foto: Guilherme Brito / G1)Dono deste estabelecimento depreciou preço em
R$ 10 mil, mas imóvel continua desocupado
(Foto: Guilherme Brito / G1)
Na Avenida Ataulfo de Paiva, uma das principais do bairro e endereço da maioria das obras, já é possível ver vitrines vazias com placas de aluguel. Clarindo Mourão, administrador de uma imobiliária que negocia um desses espaços vazios, disse que o ponto sempre foi disputado entre os comerciantes e agora vive um momento de recessão.
"Estamos tendo bastante dificuldade. O inquilino saiu desde que as obras começaram, com medo de prejuízo, e até agora não alugamos. Só conseguiríamos se fosse por um preço ínfimo", explicou.
O administrador contou que, mesmo com a redução do preço de locação, o proprietário não conseguiu um inquilino que aceitasse ter sua loja com vista para os canteiros. "Sem as obras, o preço de aluguel do espaço sairia por volta de R$ 35 mil. O dono ainda tentou baixar para R$ 25 mil, mas não adiantou. Ele resolveu esperar a obra acabar para poder alugar", disse.
Cafeteria registra queda de 50% nas vendas  (Foto: Guilherme Brito / G1)Cafeteria registra queda de 50% nas vendas (Foto: Guilherme Brito / G1)
Loja de vestuário feminino diminuiu horário de funcionamento  (Foto: Guilherme Brito / G1)Loja de vestuário feminino diminuiu horário de
funcionamento (Foto: Guilherme Brito / G1)
Lojas vazias
Ao lado do espaço para alugar, uma loja de uniformes escolares que funciona há 38 anos também enfrenta problemas para reconquistar a clientela. Dulce Soares, uma das donas, disse que, desde o começo da obra, alguns problemas como telefone fixo sem sinal, explosão de canos de água e gás ocorreram na loja, mas que tudo foi devidamente arcado pelo Consórcio da Linha 4 Sul do Metrô. A única coisa que não pode ser paga é a falta de movimento.
"Eu não sei precisar quanto, mas o movimento diminuiu bastante. Os clientes antigos ainda vêm, mas novos está difícil. E a previsão de liberar a rua é só para 2016", comentou a comerciante.
Se a loja de uniformes tem clientes antigos que ainda resistem, as de vestuário feminino não têm a mesma sorte. Em outro ponto da Ataulfo de Paiva, uma grife de roupas diminuiu o horário de atendimento para poupar gastos. São, ao todo, menos cinco horas de funcionamento por semana.
"Nós tivemos uma queda de 60% nas vendas. Nem as clientes antigas querem vir.  Nosso público é de classe alta, ninguém quer entrar em vielas escuras, barulhentas e sem segurança para fazer compras", lamentou a gerente, que reclamou também da poeira da obra nas peças de roupa.
O Consórcio Linha 4 Sul informou que mantém uma equipe em contato permanente com moradores e comerciantes da região afetada pelas intervenções, com o objetivo de minimizar os impactos das obras. "Os profissionais buscam o diálogo constante com a comunidade para entender suas necessidades e encontrar formas de atendê-las sempre que possível", diz a nota enviada.
Ainda segundo o consórcio, "em Ipanema e no Leblon, durante toda a obra, são mantidos o acesso ao comércio e a passagem de pedestres pelas calçadas. O Consórcio instalou sinalização especial nos tapumes para indicar que as lojas continuam funcionando normalmente. Nos tapumes, cuja parte de cima é feita de tela para possibilitar a passagem de luz natural, há iluminação reforçada e câmeras para dar maior sensação de segurança aos pedestres e comerciantes", explicou a nota.
Consórcio do Metrô disponibiliza avisos sobre o funcionamento das lojas  (Foto: Guilherme Brito / G1)Consórcio do Metrô disponibiliza avisos sobre o
funcionamento das lojas (Foto: Guilherme Brito / G1)
Aluguéis não acompanham
Mesmo sem a vista obstruída, uma famosa cafeteria da avenida também sentiu o impacto no orçamento. Segundo o supervisor Patrick Costa, a falta de veículos nesse trecho também diminuiu o movimento de clientes, mas o preço do aluguel do espaço continuava difícil de negociar.
"O dono da loja conseguiu um acordo e fechou a renovação do contrato por cerca de R$ 40 mil por mês. Foi difícil negociar, mesmo com o argumento de que as vendas na loja caíram 50%."
Para os comerciantes, só resta esperar e sonhar com o ano de 2016, quando o Rio deve ter mais turistas andando nas ruas com as Olimpíadas e chegando ao bairro do Leblon de metrô, após uma longa jornada de intervenções. "Só me resta esperar pelo melhor", disse o supervisor da cafeteria.

Um comentário:

Anônimo disse...

Enquanto só os moradores eram prejudicados com os transtornos, prejuízos e desvalorização estava tudo bem.
Agora pegando no "bolso" dos comerciantes tudo muda de figura!!!

Cancelamento da Linha 4 Sul , Já !!