ORQUÍDEAS EM IPANEMA

Orquídeas embelezam o Quadrilátero do Charme de Ipanema

O Rio de Janeiro é a cidade mais fotogênica do país e Ipanema é um dos bairros mais descolados e elegantes da Cidade Maravilhosa. Sua gente é sorridente e descontraída, sua natureza – oceano, praia, lagoa e vista dos morros e das pedras – é privilegiada e seus lugares de passatempo – bares e restaurantes – são dos mais badalados. Nos meses de verão, um dos charmes de Ipanema são as orquídeas multicoloridas presas nas árvores que sombreiam as ruas.
© Haroldo Castro | Rio de janeiro Em frente ao 289 da rua Alberto de Campos, já perto da Epitácio Pessoa, uma árvore congrega dezenas de plantas epífitas, com belos exemplares de Phalaenopsis, a orquídea-borboleta, em primeiro plano.

© Haroldo Castro | Rio de janeiro Na rua Barão de Jaguaripe, quase esquina com Maria Quitéria, um cacho de Oncidium, a orquídea-chuva-de-ouro, surpreende o pedestre com sua delicadeza.
Em 2006, um conjunto de quarteirões no coração de Ipanema foi batizado como Quadrilátero do Charme. Uma evolução orgânica da Associação de Amigos da Rua Garcia d’Ávila, criada pelo joalheiro Antonio Bernardo, o quadrilátero passou a abranger a área entre as ruas Aníbal de Mendonça e Joana Angélica e as avenidas Epitácio Pessoa (na Lagoa) e a Vieira Souto (na orla). São 22 quarteirões onde se concentram hotéis, restaurantes, galerias de arte, lojas de grife, joalherias, livrarias, cabelereiros, cursos de idiomas e o comércio chique do bairro. A Prefeitura do Rio oficializou o espaço como um dos 20 Polos do Rio.
“Em 2004, quando eu soube que o Shopping Leblon chegaria ao Jardim de Alá, fiquei preocupado com o futuro do comércio de rua de Ipanema. Precisávamos nos organizar para não sermos devorados pela megaestrutura do shopping”, diz Bruno Pereira, diretor da associação comercial Quadrilátero do Charme. Demorou um pouco, mas os donos das lojas de luxo entenderam o desafio. “Hoje o Quadrilátero é composto por cerca de 70 empresas.”
Bruno fala sobre a evolução do Quadrilátero do Charme nos últimos sete anos. Uma das iniciativas que mais deu certo foi um plantio de orquídeas nas principais ruas do bairro. “Em 2007, vivíamos um momento sombrio no Rio, com roubos e assassinatos até mesmo em Ipanema. Precisávamos fazer alguma coisa para melhorar nossa imagem”, afirma Bruno.
Inspirado em exemplos de orquídeas amarradas em troncos de árvores que voltaram a florescer, ele convidou moradores para plantar – ou melhor, prender nas árvores – centenas de orquídeas. “Eu parecia um maluco, andando pela Aníbal, Garcia, Maria Quitéria e Joana Angélica, contando árvores. No final, listei 350 troncos que poderiam receber seis plantas cada”, diz Bruno.  “Festejamos a entrada da primavera, no domingo 23 de setembro de 2007, amarrando 2.100 orquídeas, ainda sem flor, nas árvores.”
Esta primeira iniciativa ocorreu há mais de cinco anos. De lá para cá, muita coisa mudou. Das 2.100 orquídeas plantadas, mais da metade desapareceu. Quando as plantas começaram a florescer, vários quarteirões foram depenados, como o da Praça N. S. da Paz, onde existe uma feira livre. “Perdemos muitas plantas. Aconteceram alguns roubos e as orquídeas colocadas perto da praia morreram, certamente por causa da maresia”, diz Bruno. “Mas os moradores adoraram a novidade e, daquele momento em diante, as orquídeas passaram a fazer parte do cenário do bairro.”
Em bolsas de juta ou em potes cortados pela metade, as orquídeas rapidamente se fixam nos troncos, graças às suas raízes em forma de tentáculos.
Pouco a pouco, os troncos das árvores foram ganhando mais e mais potinhos de orquídeas. Os porteiros dos edifícios passaram a ter um importante papel. “Os moradores recebem orquídeas como presente, mas quando a flor murcha, eles jogam fora o vaso, para não ocupar espaço dentro de casa. Comecei a prender na árvore da entrada do meu prédio todas as orquídeas recebidas”, afirma Manoel Freitas de Brito, zelador de um edifício na Henrique Dumont.
“Hoje, somente neste pé, tenho oito espécies diferentes.” Manoel explica que, geralmente, as plantas florescem apenas uma vez ao ano, mas há exceções. “Estas brancas dão sempre uma segunda floração”, diz Manoel mostrando uma orquídea-borboleta. Mas tenho uma solitária amarela que aparece apenas a cada dois anos.”
© Haroldo Castro | Rio de janeiro Manoel Freitas de Brito, zelador há 31 anos no mesmo prédio, considera que tem dedo verde. “Tudo que planto, pega; até mesmo à meia quadra da praia”, afirma.
A iniciativa das orquídeas embelezando as ruas do bairro deu certo pois gerou uma união harmoniosa entre os principais atores. Comerciantes, moradores e zeladores dos prédios compartilham a mesma meta que o bairro se torne um lugar cheio de charme. Residente na rua Redentor, Bia Lopes pede a seu jardineiro que, depois de expostas na sua loja, as orquídeas sejam sempre colocadas na árvore em frente ao prédio onde ela mora e trabalha. Em poucos anos, ela a transformou em uma árvore de Natal tropical! Um exemplo a seguir!
© Haroldo Castro | Rio de janeiro A árvore de Bia Lopes na rua Redentor está coberta por mais de 50 pés de orquídeas brancas do gênero Phalaenopsis.

© Haroldo Castro | Rio de janeiro Uma orquídea do gênero Phalaenopsis replantada em uma árvore na rua Redentor. A Phalaenopsis é originária do sudeste asiático.

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