quinta-feira, 15 de março de 2012

METRÔ




Metrô: obra milionária para não desalojar em área nobre

A Estação General Osório será ampliada para poupar três edifícios em Ipanema

POR Christina Nascimento


Rio - As obras da Linha 4 do metrô (que vai ligar o Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, à Estação General Osório) poderiam desalojar temporariamente 290 famílias de Ipanema. Os apartamentos ficam em três prédios do quadrilátero por onde passaria parte do trajeto dos trens. A decisão de não entrar em disputa judicial com moradores da Zona Sul custará R$ 377 milhões aos cofres públicos. É o valor da duplicação da Estação General Osório, exigida pelo novo traçado.

A expansão é uma obra da Riotrilhos (empresa estadual) com a CBTO Engenharia Ltda, grupo Odebrecht. A construção da Linha 4 é tocada pelo Consórcio Rio-Barra, que reúne cinco empreiteiras.

O ‘jeitinho’ em Ipanema custará quase R$ 80 milhões a menos do que a prefeitura deve gastar com três mil desapropriações em nove bairros no caminho do corredor exclusivo para ônibus Transcarioca (Barra-Galeão). Se o Estado tivesse optado por desalojar os moradores de Ipanema, não haveria necessidade de fazer ampliar a estação.

Foto: Arte O DiaEm nota, o estado informou que os custos do traçado sob os três prédios e o escolhido são equivalentes. A explicação são os gastos com diárias de hotel e pagamento de perdas comerciais por pelo menos um ano.

Outra razão para a mudança é o tempo de conclusão da Linha 4, prevista para dezembro de 2015. Relatório da Fundação Getúlio Vargas, antecipado pelo ‘Informe do DIA’ reconhece que a opção por desalojar moradores significaria “elevada probabilidade de ocorrência de embargo judicial”, o que atrasaria a obra.

Polêmica de gasto extra foi encaminhada ao Ministério Público

Para o vereador Carlo Caiado (DEM), a modificação do traçado da linha 4 e a ampliação do Estação General Osório são desperdício de recursos públicos. O parlamentar defende a manutenção do projeto original da Linha 4, que estabelecia a ligação entre a Barra e a Zona Sul (Estação Morro de São João), conectando a Linha 4 à Linha 1 no bairro de Botafogo.

“Já encaminhei ao Ministério Público um estudo que mostra o quanto é exorbitante o gasto que está sendo feito com essa obra. Foi feito um aditivo no contrato de R$ 377 milhões”, afirmou ele.

Caiado defende que a estação Gávea fosse feita em em dois níveis, de modo a ser a estação de integração entre as linhas 1 e 4, permitindo aos usuários que ali trocassem de trem para seguir em direção à Barra, Ipanema, Botafogo, Centro, ou mesmo Tijuca.

Mudança e cruzamento de trilhos em X

O Estado alega que se fosse fazer o trajeto que passa sob os três prédios de Ipanema haveria abalados em outros imóveis e na Igreja Nossa Senhora da Paz. A expansão da Estação General Osório não vai livrar os passageiros de baldeações. Quem for da Linha 2 para a Linha 4 terá que fazer transbordo.

Um problema que também vem causando polêmica é que em razão da ampliação da estação de Ipanema será necessário implantar cruzamentos dos trilhos em X, entre General Osório e a Estação Cantagalo.

Com o ‘X’, trens vindo da Barra da Tijuca pelo futuro trecho cruzarão com os trens da linha 2, que virão do Centro. Em nota, o governo do estado informou que estudos operacionais não demonstram nenhum risco ao sistema e passageiros.

2 comentários:

Anônimo disse...

Quer dizer que o Metrô iria abalar a Igreja N S da Paz, mas os nossos prédios não ???

Anônimo disse...

O prefeito e o governador estão se lixando para as nossas vidas. Eles sabem que muita gente vai correr perigo mas eles nao usam o Metro e moram de frente para o mar,então nao tem problema....alguém foi responsabilizado pelas mortes dos desabamentos dos edificios da cidade? NAO e ninguém fala mais daquela tragédia,acabou,passou....e dane- se quem morreu. Essa e a nossa cidade,nosso Estado,nosso Brasil...aqui a vida nao vale nada.