quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE O METRÔ

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O “imprestável” estudo do metrô

Em audiência pública sobre a Linha 4 do metrô, na última segunda-feira, o promotor de Justiça Carlos Frederico Saturnino disse que o Estudo de Impacto Ambiental, feito por uma empresa contratada pelo governo do Estado, é "imprestável" e deveria ser desconsiderado, pois há inúmeras falhas e dados falsos. Já existe uma ação na Justiça, proposta pelo MP, pedindo a paralisação imediata da obra.

Cerca de 400 moradores dos bairros da Gávea, Leblon e Ipanema, além de especialistas em transporte metroviário e representantes de 23 associações de moradores da Zona Sul e Barra da Tijuca aplaudiram de pé a manifestação do MP.

Mais uma vez os moradores rejeitaram a alteração do traçado da Linha 4, que passará pelo Leblon e por Ipanema, ao invés de ligar a Barra da Tijuca ao Centro via Jardim Botânico e Botafogo. Os moradores não aceitam de jeito nenhum este trajeto imposto pelo governo, por não representar a melhor alternativa para a cidade.

Impassíveis, com “cara de paisagem”, os secretários estaduais Regis Fichtner, da Casa Civil, e Julio Lopes, de Transportes, insistiram em responder de forma superficial a perguntas técnicas e objetivas.

Regis Fichtner foi enfático: “O traçado é uma escolha do governo. Não há chance de mudar”.

Os estudos qualificados como “imprestáveis” pelo MP não foram até hoje disponibilizados ao grande público. Só o de demanda, que ninguém viu, custou R$ 19 milhões aos cofres públicos. Autora do tal estudo, a Fundação Getúlio Vargas apresentou slides com um resumo das constatações. Logo no primeiro, mostrou a fragilidade do estudo, ao apontar como destino principal dos moradores da Barra e de Jacarepaguá os bairros do Leblon e de Ipanema, ao invés do Centro. Só não explicou de onde veio essa constatação.

O estudo de demanda, que ninguém viu, também ignorou o Plano Diretor da cidade do Rio de Janeiro, ao sugerir um traçado que adensará ainda mais os bairros de Ipanema e Leblon, situados numa macrozona controlada, em detrimento do Centro, que tem área a ser incentivada e é foco de investimentos vultosos, como o projeto Porto Maravilha.

Pena que, mais uma vez, não havia na audiência um só representante da prefeitura, a quem cabe zelar pela cidade.

A insistência em construir uma passagem alternativa, o chamado by pass, ligando o metrô diretamente de São Conrado ao Leblon, demonstra que não há garantia alguma de que a estação da Gávea será construída. A proposta do governo é fazer um triângulo, por onde seguiria um trem da Barra à Gávea; outro, da Gávea ao Leblon, se juntando a um terceiro, Barra-Leblon, sem passar pela Gávea. Esta ligação Barra-Leblon seria totalmente dispensável, se houvesse realmente a intenção de construir a estação da Gávea, como estava previsto no projeto original da Linha 4.

O secretário de Transportes foi mais uma vez hostilizado. Para tentar limpar a barra, Julio Lopes resolveu dar uma "boa notícia": em 2016, o metrô terá no máximo seis passageiros por metro quadrado.
"Com muito conforto para o passageiro", gabou-se.

Seis pessoas da plateia se levantaram e fizeram uma simulação de como seria o tal conforto pregado pelo secretário. Um por cima do outro, no metro quadrado imaginário, gritavam:

"Vem andar de metrô agarradinho com a gente, secretário".
Julio Lopes não topou.

Participamos da audiência eu, os colegas vereadores Eliomar Coelho, Paulo Pinheiro, Sonia Rabello, Carlo Caiado, e Dr. Edson da Creatinina e os deputados estaduais Luiz Paulo Correa da Rocha e Marcelo Freixo e os federais Alessandro Molon e Otávio Leite. Todos nós nos manifestamos contra a alteração do traçado.

Como as dúvidas não foram esclarecidas, as associações pediram que fosse marcada mais uma audiência pública. O chefe da Casa Civil, Regis Fichtner, alegou que só havia a obrigação de se fazer uma e que o governo, generoso e democrático, acabou fazendo a segunda. Mas agora, apesar do espírito generoso e democrático, não quer de jeito nenhum a terceira.

Regis foi interrompido pelo presidente da audiência e da CECA (Comissão Estadual de Controle Ambiental) - a quem cabe a aprovação final da concessão da licença ambiental das obras:

“Se vamos ou não ter uma terceira audiência, quem decidirá será a CECA”, disse Antonio Carlos Gusmão.

Então, doutor Gusmão, a bola está com o senhor.

Leia a história real (matéria do jornal O Globo)
E a estorinha oficial.



Um abraço,

Andrea Gouvêa Vieira

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