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20/05/2014 11h56 - Atualizado em 20/05/2014 15h34

Cratera em Ipanema teria ocorrido por problema em rocha, diz consórcio

Escavação do Metrô na Barão da Torre para por até 60 dias.
Obras estão paradas desde que um buraco se abriu no dia 11 de maio.

Do G1 Rio
Operários do consórcio Linha 4 do metrô trabalham na Barão da Torre em frente ao edificio 137 em Ipanema, onde um buraco se abriu na frente do prédio (Foto: Antônio Scorza/Agência O Globo)Operários do consórcio Linha 4 do metrô trabalham na Barão da Torre em frente ao edificio 137 em Ipanema, onde um buraco se abriu na frente do prédio (Foto: Antônio Scorza/Agência O Globo)
O Consórcio da Linha 4 do metrô informou nesta terça-feira (20) que a cratera que se abriu em Ipanema, na Zona Sul do Rio, no dia 11 de maio, foi ocasionada "por um comportamento anormal e pontual na face de uma rocha fraturada durante a escavação do túnel do metrô no subsolo da via". Em nota, o consórcio afirmou que a rocha se desprendeu e afetou outros blocos, ocasionando a descompactação do terreno.
Desde que o buraco se abriu na Rua Barão da Torre, em Ipanema, as escavações da Linha 4 do metrô estão suspensas e devem continuar paradas na Barão da Torre, local do afundamento, de 45 a 60 dias para tratamento do solo, segundo o gerente de produção da obra, Aluísio Coutinho Júnior. Ele garante que não houve erro na operação, e que o desprendimento de uma rocha dessas características nessa área, considerada de transição entre escavação de área sólida e de areia, é "anômalo".

"Esse método (escavação com o equipamento conhecido comoTatuzão) foi o que limitou o problema. Se fosse outro método de escavação a proporção seria maior. A probabilidade disso acontecer de novo é muito pequena, muito baixa, nos cerca de 20 metros de terreno de transição que ainda falta de ser escavado", explicou.

Ainda segundo Coutinho, aquele trecho da Rua Barão da Torre é de transição entre solo rochoso e solo arenoso. Para minimizar a diferença entre as características dos dois solos, foi injetado cimento no ponto de transição. Foi isso que, segundo ele, garantiu que o incidente fosse localizado. Ele destacou ainda que o traçado para escavação foi planejado para que, em terreno arenoso, o Tatuzão não passasse sob os prédios.
Para que as escavações sejam retomadas naquele trecho, o consórcio irá injetar mais cimento "por cautela, por segurança", ressaltou Coutinho.

O vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura seção Rio de Janeiro (Crea-RJ), Manoel Lapa, considera que o incidente na Rua Barão da Torre foi, de fato, algo pontual. "Obra de túnel como essa é muito mais complexa que fazer uma ponte ou viaduto porque você trabalha com um material muito heterogêneo, que é o solo", avaliou.

Lapa considera ainda que são mínimas as chances de outros acidentes ocorrerem com a retomada das escavações. "A região crítica é realmente a transição da rocha para a areia. Dali [da Rua Barão da Torre] pra frente vão pegar só areia. A possibilidade de acontecer acidentes com o tatuzão daqui pra frente é muito menor", avaliou, garantindo que o Crea-RJ acompanhará de perto a continuidade das escavações.
Método ideial
O estudo mostrou ainda que quatro fatores foram essenciais para que o incidente tivesse sido localizado e restrito: o método de escavação empregado, o tratamento prévio do solo, o monitoramento da estabilidade do terreno e das edificações do entorno e a aplicação do Plano de Contingência e Emergência de forma eficiente.

Em uma obra deste porte, o consórcio informou que os imóveis do entorno das escavações dos túneis e estações são monitorados permanentemente. Os prédios receberam instrumentos que possibilitam o acompanhamento de como as edificações se comportam antes e durante as obras. Segundo os dados, todas as medições estão dentro dos limites esperados, sem risco para as edificações.
O consórcio ressaltou que quando o primeiro desnível na superfície foi constatado, a área foi isolada, a escavação suspensa e verificou-se que não havia nenhum risco para as fundações dos edifícios do entorno, pois tratava-se de um evento localizado. Com a área isolada, os serviços de água e gás foram interrompidos e as cavidades, preenchidas com concreto.
Os estudos de sondagens, investigações geológicas e ensaios de caracterização do subsolo que precederam a obra mostraram que o Tunnel Boring Machine (TBM), o 'Tatuzão', é o equipamento mais adequado e seguro para executar este tipo de obra na Zona Sul do Rio de Janeiro. Por este motivo, foi o método adotado e será mantido.
O Consórcio disse ainda que estudos identificaram a necessidade de fazer um tratamento prévio de solo na região da Rua Barão da Torre, por ser um trecho de desemboque na transição da rocha para a areia, com rochas fragmentadas e água – característica que não se repete nestas configurações ao longo do traçado do túnel. O Consórcio Linha 4 Sul injetou calda de cimento no subsolo antes de iniciar as escavações, para minimizar a diferença entre as características de materiais encontrados no terreno. Este procedimento contribuiu para que o incidente tenha sido localizado, como mostra o resultado da análise do assentamento de solo na Barão da Torre.
"Para retomar a obra de construção do túnel entre Ipanema e Gávea, o Consórcio vai iniciar nos próximos dias serviços que devolvam a coesão ao terreno. Serão feitas injeções de cimento no solo, além de adotadas outras medidas no processo de escavação para evitar novos incidentes, com o uso de polímero de alta densidade aliado a material selante", concluiu a nota.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sim , sim ,vamos acreditar .... Vou pedir a Papai Noel que vocês tenham respeito e consideração com as nossas
Vidas ...