METRÔ

Rua ao lado das obras do Metrô afunda em Ipanema

  • Duas crateras ficaram expostas na Barão da Torre
  • Moradores desceram dos apartamentos de madrugada, com medo de desabamento
ALESSANDRO LO-BIANCO (

Operários injetaram concreto em uma das crateras que abriu na Rua Barão da Torre, em Ipanema, ao lado das obras do Metrô
Foto: Eduardo Naddar / Eduardo Nadar / Agência O GLOBO
Operários injetaram concreto em uma das crateras que abriu na Rua Barão da Torre, em Ipanema, ao lado das obras do Metrô Eduardo Naddar / Eduardo Nadar / Agência O GLOBO
RIO — Após um forte barulho às 3h da madrugada deste domingo, parte da calçada da rua Barão da Torre — entre as ruas Teixeira de Melo e Farme de Amoedo, em Ipanema, na Zona Sul — afundou, deixando expostas duas crateras na via. Com o afundamento da via, que fica ao lado das obras do Metrô da estação General Osório (Linha 4), o portão do edifício 137 ruiu, e diversos moradores desceram com medo que o prédio também desabe. Até as 8h20, nenhuma autoridade compareceu ao local para prestar explicações, nem mesmo a Defesa Civil, principal queixa dos moradoes. A rua foi isolada, com acesso apenas para os moradores.
De acordo com o Consórcio Linha 4 Sul, responsável pelas obras da Linha 4 do metrô entre Ipanema e Gávea, o problema foi ocasionado por um assentamento de solo, e não há risco para as edificações do entorno. Entretanto, diversos moradores desceram de seus apartamentos assustados e mostraram rachaduras na portaria dos prédios em que moram surgidas após o afundamento da via.
Segundo o síndico do Edifício 137, Hamilton Ferreira, parte da entrada da portaria desabou e parte da área interna do prédio também afundou. Até as 6h30m, engenheiros estavam no local fazendo a medição do imóvel para avaliar os riscos.
— Ontem (sexta-feira), eles já passaram o dia todo contendo um vazamento na rua. Essa obra tinha previsão de terminar no final do ano, e até agora nada. Já liguei para a Defesa Civil há 40 minutos e nada. Sempre soube que ia dar problema nessa obra — desabafou.
Síndico do prédio 141, o engenheiro e advogado Cláudio Teixeira apresentou à equipe do GLOBO rachaduras que teriam aparecido na portaria e no canteiro do edifício após o assentamento. O chão também afundou, e as colunas de uma mureta na entrada da portaria também ficaram desniveladas.
— Desci correndo, tirei minha filha de 4 anos e minha esposa de casa e coloquei elas sentadas dentro do hospital aqui em frente. O prédio está cheio de rachaduras, o chão afundou, e o solo aqui é muito arenoso. Estamos com medo de o edifício desabar sim. Além da falta de informação, não há uma explicação que venha de alguém especializado. Ninguém aqui sabe o que está acontecendo, ou não querem falar a verdade. A comunicação da empresa disse que está tudo certo e que está fazendo reparos, mas os prédios estão rachados; isso não é brincadeira — disse apreensivo.
Moradores do prédio 144, a professora Valéria Lontra e o engenheiro Edher Muniz também foram para a rua com medo de continuar em casa.
— Com certeza, está mais seguro aqui. Como vamos ficar em casa depois que o chão da portaria do nosso prédio também cedeu, resultando nesta cratera enorme em frente à nossa casa? Não quero saber sobre a opinião dos operários, porque eles estão perdidos. Se não tivessem, não teria acontecido este absurdo. Só volto para casa depois que a Defesa Civil chegar — disse Valéria.
Ainda de acordo com o Consórcio Linha 4, ninguém ficou ferido com o incidente e os reparos na rua já estão em andamento.


2 comentários:

Anônimo disse...

Face ao ocorrido é fundamental que o M.P. obrigue o consorcio construtor da Linha 4 que mantenha os moradores informados com acompanhamento em tempo real por GPS da movimentação do Shield (tatuzão)e preencha os requesitos de plano estratégico de evacuação, emergências e alojamentos .

Anônimo disse...

Amigos infelizmente moramos numa terra sem lei.
Nem ao menos respondem nossas perguntas. Se limitam
a sorrir , ironicamente....e dizem que nao sabem aonde se encontra o Tatuzao... triste mas e a realidade. E isso
desde que as escavações começaram. Somos tratados
como criancinhas , e o respeito marco- zero !