VERGONHA !

Reforma de postos nas praias a passos lentos

  • Concessionária só modernizou quatro das 27 estruturas previstas, mas prefeitura não vê irregularidade
EMANUEL ALENCAR


O Posto 5, em Copacabana, foi modernizado e ganhou vidros e duchas privativas
Foto: Eduardo Naddar / Agência O Globo
O Posto 5, em Copacabana, foi modernizado e ganhou vidros e duchas privativasEduardo Naddar / Agência O Globo
RIO - Não será nesse verão que os cariocas poderão usufruir de novos e modernos postos de salvamento, do Flamengo à Prainha. Das 27 unidades espalhadas na orla, apenas quatro já foram efetivamente modernizadas — com vidro no lugar das enferrujadas grades, ducha privativa e fraldário. Somente os postos 2, 4 , 5 e 9, em Copacabana e Ipanema, contam com novas dependências. O vice-presidente da concessionária Orla Rio, João Marcello Barreto, admite que, para o verão que começa no próximo dia 21, não haverá tempo para terminar as novas estruturas. Mas garante que entregará os 20 postos modernizados até dezembro de 2015 — os três postos do Flamengo não estão na lista. A Orla Rio é a empresa que tem a concessão para explorar, até 2030, os postos e 309 quiosques instalados na orla. O contrato com a prefeitura foi assinado em 1999, mas prorrogado há três anos.
A morosidade das ações é objeto de questionamentos do Ministério Público estadual. O promotor Rogério Pacheco Alves, titular da 7ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania da Capital, moveu ação civil pública, em abril de 2012, contra os adiamentos dos prazos de cumprimento do contrato, com a anuência do município. Até hoje, o processo tramita na Justiça.
Postos davam prejuízo, diz empresa
De acordo com a Casa Civil municipal, a concessionária não vem descumprindo o contrato, já que a Orla Rio tem até o fim de 2015 para fazer as reformas. Barreto afirma que os serviços de modernização são um “algo a mais” em relação ao contrato firmado com a prefeitura.
— Gastamos R$ 3 milhões nas reformas desses quatro postos. Os outros vão exigir R$ 13 milhões, mas ainda vamos acertar o cronograma com a prefeitura. Já cumprimos todo o contrato de concessão. Os postos de salvamento, em 2010, davam prejuízo de R$ 3,6 milhões por ano (à prefeitura) e exigiam o trabalho de 80 garis. Hoje, isso não acontece mais — explica ele.
Ainda de acordo com o executivo da Orla Rio, em troca de toda a manutenção dos postos, a empresa fica com a renda aferida. Mas o serviço, garante Barreto, continua sendo deficitário. Na alta temporada, o Posto 9, em Ipanema, atrai 25 mil pessoas por mês. A receita mínima garantida nesse único posto é de R$ 32.500 por mês (cobrança de R$ 1,30 pelo uso da ducha).
Uma pesquisa feita pelo Ibope a pedido da concessionária, com 150 pessoas, em outubro, mostra que 60% dos frequentadores dos postos não moram no Rio. Dos cariocas, a maioria (52%) mora na Zona Sul. Os usuários são majoritariamente mulheres (53%) e jovens entre 25 e 34 anos (31%). O uso dos postos não é frequente: 61% dos entrevistados relataram utilizar os equipamentos menos de uma vez por mês.
O verão trará ainda outra novidade. O governo do estado será obrigado a mostrar aos banhistas a qualidade da águas e da areia das praias. A lei 6.496/2013, da deputada Aspásia Camargo (PV), aprovada recentemente na Assembleia Legislativa, estabelece a obrigação da instalação de placas indicando os resultados dos monitoramentos ambientais. Em praias com maior densidade, os avisos devem ser instalados a cada quilômetro. Conforme mostrou O GLOBO ontem, trechos de Ipanema e São Conrado tiveram sua areia reprovada nos últimos testes divulgados pela prefeitura.

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