METRÔ


Copacabana teme caos com fechamento de estações de metrô

  • General Osório ficará 10 meses sem funcionar a partir de sábado; Cantagalo fechará por 15 dias

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Expansão. Operários trabalham no túnel que partirá de Ipanema rumo à Gávea e ao Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca: estações General Osório e Cantagalo serão fechadas
Foto: Pedro Kirilos / O Globo
Expansão. Operários trabalham no túnel que partirá de Ipanema rumo à Gávea e ao Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca: estações General Osório e Cantagalo serão fechadas Pedro Kirilos / O Globo
RIO — Após o anúncio do fechamento das estações Cantagalo e General Osório a partir de sábado para a interligação da nova plataforma de General Osório ao túnel da Linha 1 do metrô — visando à construção da Linha 4 (Barra-Zona Sul) —, moradores de Copacabana estão preocupados. A concessionária Metrô Rio informou que a linha Metrô na Superfície, que hoje sai da Praça General Osório rumo à Gávea, e a linha 525 (Barra Expresso) partirão da Estação Siqueira Campos. Ainda segundo a concessionária, o Metrô na Superfície terá reforço de apenas dois ônibus (de 15 para 17), mas poderá ser aumentado de acordo com a demanda.
Quarenta e cinco mil pessoas que usam o metrô diariamente em Copacabana e Ipanema precisarão mudar sua rotina. O aviso da interdição, feito com menos de 48 horas de antecedência, complicou a vida de quem precisa se planejar. A previsão é que Cantagalo fique fechada por 15 dias, e General Osório, por pelo menos 10 meses. Isso significa que, se não houver atraso, a estação de Ipanema só será reaberta às vésperas das festas de fim de ano.
— O fechamento vai me prejudicar, pois levarei mais tempo para chegar ao trabalho, no Centro. E essa mudança toda foi avisada em cima da hora. O planejamento terá que ser corrido, pois o trânsito ficará um caos — disse a publicitária Mariah Regufe, moradora de Copacabana.
O impacto no trânsito da Zona Sul já deve ser sentido a partir da segunda-feira, primeiro dia útil após a mudança. Segundo a prefeitura, a expectativa é que a frota de ônibus municipais tenha capacidade para absorver os 45 mil passageiros que ficarão órfãos do metrô.
Para o professor Paulo Cézar Martins Ribeiro, do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, o grande teste do sistema ocorrerá na segunda-feira. Sem dados sobre o intervalo entre os coletivos, ele evita fazer projeções sobre a capacidade de os ônibus absorverem ou não os passageiros do metrô, mas se mostra preocupado:
— O serviço de Metrô sobre Rodas hoje já circula lotado pela Zona Sul. Com o fechamento das estações, o percurso vai aumentar. Sem os dados técnicos do percurso, não é possível julgar se apenas dois ônibus adicionais do metrô vão comportar o aumento da demanda. Espero que, na montagem do esquema, alguém tenha feito uma avaliação criteriosa do impacto.
Ao todo, 15 mil pessoas circulam na Estação Cantagalo todos os dias. E 30 mil usam o metrô na General Osório.
— Mesmo que haja ônibus suficientes para todas essas pessoas, como ficará a questão do embarque? Isso me preocupa, não sei como Copacabana vai receber tanta gente — afirma Moacyr Duarte, professor da Coppe/UFRJ.
Por conta da transferência dos ônibus, a ciclovia da Rua Figueiredo Magalhães, entre as ruas Tonelero e Capelão Álvares da Silva, passará do lado direito para o lado esquerdo. Essa mudança permitirá, a partir de sábado, o desembarque dos ônibus do lado direito da rua.
— Essa mudança me preocupa, pois, no lado direito, existe um parqueamento da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa de Terceira Idade e um edifício-garagem que movimenta muito a Figueiredo Magalhães. Também fiquei surpreso com o tempo entre o anúncio e o fechamento das estações. Copacabana vai ficar com o trânsito muito comprometido — acredita o presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães.
Segundo o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, o fechamento da General Osório permitirá a construção de uma nova plataforma, o que aumentará a capacidade da estação e garantirá a conexão entre as linhas 1 e 4 (Jardim Oceânico-Ipanema) sem que seja feita a troca de trens.
— Não fazemos uma intervenção dessas sem nenhum transtorno, sabemos disso. Será necessária uma mudança de hábito do usuário do metrô — afirma Fichtner.
A estação Cantagalo será reaberta, em março, com um trem fazendo o trajeto Cantagalo-Siqueira Campos–Cantagalo. Com isso, os passageiros terão de desembarcar em Siqueira Campos e pegar outro trem para seguir viagem rumo ao Centro. Essa operação será mantida até a conclusão das obras.
As primeiras mudanças na Zona Sul, por conta da ligação de Ipanema à Barra, aconteceram no fim do ano passado, com interdições para construção das estações Antero de Quental e Jardim de Alah. Todas as faixas da Avenida Ataulfo de Paiva, nos trechos entre a Venâncio Flores e a Avenida Bartolomeu Mitre, e entre as avenidas Afrânio de Melo Franco e Borges de Medeiros, foram fechadas ao tráfego. A partir de abril, mais um trecho da Avenida Borges de Medeiros será interditado. Segundo o governo, uma ponte metálica será construída sobre o Jardim de Alah para ligar a Rua Humberto de Campos à Avenida Epitácio Pessoa.
No fim de janeiro, um canteiro de obras foi instalado no campo de futebol da PUC. A estação Gávea, que será construída a partir do segundo semestre deste ano, ficará em parte do terreno onde hoje funciona um estacionamento. A previsão é que a estação tenha dois acessos, um em frente à universidade, na Rua Padre Leonel Franca, e outro na Rua Marquês de São Vicente. Não há expectativa de fechamento de ruas da Gávea durante as obras, que devem durar pelo menos até 2015.
O desafio dos grandes eventos
O fechamento da estação General Osório, em Ipanema, será sentido não só por passageiros habituais, como por frequentadores de grandes eventos na Zona Sul. Durante a Jornada Mundial da Juventude, entre 23 e 28 de julho, a Praia de Copacabana, vizinha a Ipanema, será um dos principais palcos do evento. A missa de abertura da jornada será rezada ali, assim como a cerimônia de acolhida do Papa e uma via-sacra. A previsão é que esses encontros reúnam dois milhões de jovens.
Outra preocupação é o réveillon. Segundo o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, a expectativa é que as obras acabem em dezembro, portanto pouco antes do ano-novo.

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