segunda-feira, 5 de março de 2012

DESPOLUIÇÃO DE IPANEMA


Obras para despoluição da orla de Ipanema começam em até dez dias

Objetivo de programa do governo estadual é limpar seis praias em dois anos

MÁRCIO MENASCE


Sujeira em Ipanema: expectativa do governo é deixar praia própria para banho ao longo de 90% do ano
MÁRCIA FOLETTO
RIO - A Praia de Ipanema será o ponto de partida para um grande plano de despoluição de boa parte da orla carioca. De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o programa batizado de Sena Limpa vai promover uma série de ações para limpar, de uma vez por todas, também as praias de Leblon, Leme, São Conrado, Urca e da Bica, na Ilha do Governador. Os trabalhos começam em até dez dias, com as obras no Jardim de Alah. Segundo Minc, há duas saídas de esgoto no canal responsáveis por 90% da poluição em Ipanema.
— Vamos implantar duas novas bombas, para aumentar a capacidade de transferir o despejo das comunidades do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo para o emissário submarino de Ipanema. A saída de esgoto das duas comunidades joga até 16 milhões de coliformes fecais por decilitro (0,1 litro) no Jardim de Alah. Será construída também uma nova canalização que levará o esgoto da Cruzada São Sebastião ao emissário — explica Minc.
O programa Sena Limpa, cujo nome faz referência ao número de praias a serem despoluídas (seis), deve ser concluído em dezembro de 2014, mas a expectativa do governo estadual é terminar as obras em Ipanema em dezembro de 2012. O objetivo é deixar a praia própria para banho durante 90% do ano. Segundo o secretário, em 2011, as águas no bairro estiveram próprias em apenas metade do ano.
Praia do Leblon será a última a ser despoluída
O programa vai receber R$ 150 milhões em investimentos, dos quais R$ 70 milhões virão do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam). O restante será dividido entre Cedae e prefeitura. Além das obras estruturais, serão feitas ações na área de habitação, tratamento de esgoto, coleta de lixo e fiscalização de despejos.
— Esta é a primeira força tarefa a incluir Secretaria de Estado do Ambiente, Cedae, Comlurb, Instituto Estadual do Ambiente e Secretaria municipal de Habitação. Acabou o jogo de empurra entre os órgãos. Cada um vai cuidar de suas responsabilidades para alcançarmos nosso objetivo — garante Minc.
Segundo a previsão das autoridades, a Praia de Ipanema deve estar despoluída até dezembro deste ano; a do Leme, até junho de 2013; a da Urca, até outubro de 2013; a da Bica, até novembro de 2013; a de São Conrado, até dezembro de 2013; e a do Leblon, até dezembro de 2014. Um dos bairros mais nobres e turísticos da cidade, o Leblon será o último trecho a ter a "faxina" concluída porque, segundo Minc, trata-se de um ponto complexo. São oito saídas de esgoto no canal da Rua Visconde de Albuquerque.
— Estamos fazendo o projeto para resolver o problema do canal no Leblon. As obras devem começar no segundo semestre deste ano. Dos oito pontos críticos, cinco vêm da encosta da Rocinha e três da Gávea, que inclui a favela Parque da Cidade. Vamos canalizar esse esgoto também para o emissário de Ipanema — explica o secretário.
Para o professor adjunto do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Adacto Otoni, as obras nos canais do Jardim de Alah e da Rua Visconde de Albuquerque são positivas. Porém, diz ele, é preciso que, de fato, haja uma interação entre os órgãos públicos a fim de encontrar uma solução definitiva para a poluição.
— Além de resolver a questão do despejo de esgoto, é preciso atuar nas fontes da poluição, como a coleta de lixo. É importante a implantação de programas educacionais e de coleta seletiva nas favelas. A criação de ecopontos para receber o lixo, com fácil acesso para caminhões, pode ajudar a solucionar esse problema. Além disso, é fundamental a criação de programas de habitação para retirar os moradores do topo das encostas e replantar a floresta. Só assim será possível impedir que o lixo dessas comunidades chegue às praias — afirma Otoni.


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