sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

EM IPANEMA NÃO FOI DIFERENTE !


Moradores e comerciantes dizem que lixo, ambulantes e mijões são problemas nos blocos

Associação de Moradores do Leblon cobra uma reunião com o prefeito Eduardo Paes para tratar do crescimento dos desfiles

ISABELA BASTOS
LUIZ ERNESTO MAGALHÃES
RAFAELA SANTOS

Rapazes usam as paredes como banheiro público, após a passagem do Toca Raul

EDUARDO NADDAR/19-2-2012 / O GLOBO

RIO - O gigantismo do carnaval de rua e os problemas a reboque da folia criaram um bloco dos descontentes no Rio. Irritada com a sujeira deixada por ambulantes, os transtornos no trânsito e o mau cheiro de urina nas ruas, a Associação de Moradores do Leblon cobra uma reunião com o prefeito Eduardo Paes para tratar do crescimento dos blocos. Já o Projeto Segurança de Ipanema foi mais longe e entrou com uma representação no Ministério Público, pedindo que ambulantes sejam proibidos de vender bebidas alcoólicas nos blocos. Instituições que representam hotéis, agências de viagens, bares e restaurantes dizem que a organização melhorou, mas apontam o lixo nas ruas e os mijões como problemas que precisam ser resolvidos para que o samba não atravesse.

Pelo segundo ano consecutivo, a prefeitura estuda mudanças no carnaval de rua. A medida é a mesma do ano passado: a transferência de blocos da Zona Sul para outros bairros.
A presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenweig, diz que as ruas internas do bairro ficaram intransitáveis. Ela denuncia que crianças e adolescentes foram vistos vendendo e consumindo bebidas alcoólicas nos blocos:
— O Rio não está preparado para tanta gente. A coisa chegou ao limite. Era cheiro de álcool o tempo todo.
Livraria teve de fechar mais cedo
A dona da livraria Argumento, na Rua Dias Ferreira, Laura Gasparian, fechou as portas às 15h no sábado de carnaval, devido à passagem de blocos. Normalmente, a loja encerraria as atividades à meia-noite:
— O Azeitona Sem Caroço era um bloco pequeno. Agora a rua ficou um nojo, com cheiro de xixi e lixo.
A concentração de camelôs na Praça Cláudio Coutinho, no Leblon, é criticada pelo presidente da Associação de Moradores da Selva de Pedra, Wander Moreira:
— Tinha caminhão de cerveja parado na praça o tempo todo. Depois que o bloco saía, a sujeira ficava. Usaram a pracinha como banheiro.

Preocupada com a venda de bebida alcoólica nas ruas, a presidente do Projeto Segurança de Ipanema, Ignez Barreto, enviou uma representação ao Ministério Público. Ela diz que ambulantes teriam vendido tequila, cachaça e vodca até a menores. Num vídeo feito pelo projeto, dezenas de ambulantes aparecem dormindo em colchonetes e barracas na Praia de Ipanema, cercados de engradados de bebidas e geladeiras de isopor.

Ressaltando que a organização registrou avanços na área de segurança e trânsito, o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens, George Irmes, disse que a distribuição de banheiros químicos e os ambulantes ainda são problemas:
— A cidade deveria ter banheiros públicos, além de reforçar a distribuição dos banheiros químicos. O cheiro de xixi incomoda. Vi muitos ambulantes na rua. É importante ordenar ou proibir. O lixo também é negativo. A cidade tem que ser limpa para o turista e para quem mora nela.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio, Alfredo Lopes, defende a melhoria da organização do carnaval:
— Já melhorou, mas tem problema de lixo, de desrespeito ao patrimônio. O carnaval é a cara do Rio, mas tem que dar mais infraestrutura.
O secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Melo, disse que a Guarda Municipal e a Secretaria da Ordem Pública combateram os ambulantes que dormiam nas praias e estavam orientadas a encaminhar, ao Juizado da Infância e da Juventude, menores e seus responsáveis que, eventualmente, estivessem consumindo ou vendendo bebida alcoólica. Ele disse que o número de banheiros químicos passou de 700, em 2009, para 15 mil este ano. Sobre as pessoas fazerem xixi na rua, argumentou:
— De qualquer maneira, se o xixi é o maior problema do carnaval de rua, ainda bem. É um doce problema. Mais de quatro milhões pularam e brincaram no carnaval. O número de furtos e roubos foi menor que no ano passado. As pessoas têm de ter bom senso.
Responsável pela logística do carnaval de rua, o diretor da Dream Factory, Duda Magalhães, disse considerar que a operação de banheiros, de trânsito e de limpeza funcionou melhor que em anos anteriores. Ele admitiu ter assistido a cenas de menores vendendo bebidas, mas argumentou que a prefeitura reprimiu esse tipo de atividade dos ambulantes.

2 comentários:

Anônimo disse...

o sr. secretário de turismo ou é extremamente desinformado, mau informado ou quer ignorar as crianças em coma alcoólica, os assédios de bêbados às mulheres, os violentos atentados ao pudor, o desrespeito à lei do silêncio, a música alta ilegal nos bares até de madrugada, furtos, roubos, assaltos, vendedores ilegais, os fogões e bujões de gás (!) que grupos de ambulantes traziam em vans, acampavam nas ruas e só saíam na quarta feira, a insalubridade causada pelo lixo e pelo xixi que ele classifica de "doce problema" (deboche?);em suas declarações o sr secretário aparenta demonstrar total desprezo pelos cidadãos que pagam seu salário e pouco caso pelo prejuízo que essa baderna causou ao patrimônio público e privado e por esse motivo caso confirmadas essas declarações deveria responder civil e criminalmente por isso.

Anônimo disse...

O sr.adversário,ops,secretario de turismo ODEIA Ipanema e Leblon,pois ainda debocha da terrível situação! Que nojo!