AFROREGGAE



Afrorregae dá show em palco onde costumavam ocorrer arrastões


Nem o intenso calor do Rio de Janeiro foi obstáculo para o público conferir a apresentação do grupo Afrorregae

Foto: Daniel Ramalho /Especial para Terra


O calor não foi rival à altura dos samurais do Afrorregae. Nesta segunda-feira (20), um dos dias mais quentes da festa - a temperatura chegou aos 35°C nos termômetros da avenida Vieira Souto -, o bloco do tradicional projeto social carioca arrastou uma multidão nas ruas de Ipanema, sem esquecer das causas. E, mesmo com pesadas fantasias de guerreiros japoneses - desenhadas pelo figurinista Giovanni Targa, da Rede Globo -, os percussionistas deram show: não apenas tocaram, mas também abusaram das coreografias ensaiadas.

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Duas alas, uma com bailarinos e outra com acrobatas, tocaram fogo na multidão, que respondia ensandecida os números de dança e malabarismos. "A gente está aqui para zoar. Este é um dos eventos em que mais nos divertimos no ano e possivelmente aquele que nos apresentamos para o maior público", diz Jorge Henrique Alves dos Santos, um dos malabaristas que viram a multidão do alto e de ponta cabeça. "É uma sensação incrível ver essa galera vibrando com a gente."

O Afroreggae tem uma das maiores estruturas do Carnaval de rua carioca: dois carros de som gigantescos e um cordão cheio de seguranças para garantir a tranquilidade dos artistas do projeto social.

"Tem que ser assim até para motivar a rapaziada. Senão iam dizer que nós somos simplesinhos porque somos favelados e esse já é um discurso velho. A gente vem para arrasar", afirma José Júnior, idealizador do projeto. "Essa é uma região onde costumavam ocorrer muitos arrastões no passado. Então, para nós do projeto, é muito importante dar esse show aqui."

É o sétimo ano seguido que o bloco do Afrorregae entra na avenida. O foco do desfile deste ano foi a diversidade. "A luta é pelo direito à vida, às escolhas e é uma árdua batalha. Só assim teremos uma sociedade mais justa", disse Carlos Tufvesson, da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS) do município do Rio.

As fantasias foram escolhidas com base nos ideais que norteavam os samurais. "Os guerreiros do Afrorregae são assim, fiéis aos ideais, e morreremos tentando fazer do mundo um lugar melhor para se viver", afirmou Dadá, coordenador do bloco.

Se depender do apelo popular do bloco, boa parte da luta já está vencida, embora tenham ocorrido alguns transtornos para conter a multidão durante a passagem do bloco - o cordão do Afrorregae ocupou uma faixa inteira da Vieira Souto e quem estava assistindo acabava ficando prensado. Mas nenhum acidente maior ocorreu.

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